terça-feira, 29 de maio de 2012

ZZZZ...
Os pernilongos querem comer meu corpo
ZZZZ...
Valas, espaços vazios tomados pelo som
ZZZZ...
Terror de tímpanos e labirintos,
vampiros da América do Sul,
vampiros que adentram sem serem convidados (se bem que deixei a janela aberta),
vampiros do calor,
da dengue de ricos e pobres.
Hematófagos invencíveis!
ZZZZ...
Querem comer meu corpo.

Meu corpo imóvel
de sono e descrença,
minhas pernas que não se levantam,
meus braços que não se movem...
e milhões de agulhas infernais
e milhões de gotículas roubadas
e milhões de insetos de vida curta e inútil
e ZZZZ...

Eu grito,
mas os vizinhos assistem TV
ou tomam tereré ouvindo sertanejo universitário.
Maldade minha, eu não grito,
não conheço os vizinhos e não quero incomodá-los.

Quem grita é o homem na rua,
ao morrer, me estendendo os braços:
- Como um cão!!!
E eu não sei se se trata de uma conjunção
ou de um verbo conjugado.

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