Ele tentou, tentou
debalde.
Era tarde.
Era tarde demais.
Ele disse, disse
debalde.
Não tinha a ver.
Não tinha graça.
Foi à Inglaterra
ressuscitar os Beatles,
mas John Lennon morreu
em Nova York.
Vá para casa, ele se
diz,
vou para a rua, ele se
responde,
um meio termo é
estabelecido:
vá pra puta que o
pariu.
Ele sorriu, sorriu
debalde.
Era feio sorrir
daquilo.
Era errado ser triste.
Eram cáries.
Ele dormiu, dormiu
debalde.
O sono nunca vai
embora.
Acordará e voltará a
dormir de novo,
não importa quão
imponente ele seja,
quão importante seja
seu ofício,
quão sublime seja sua
arte,
quão influente seja
sua filosofia.
O sono é uma verdade
mais absoluta que a morte.
Ele aprendeu uma
palavra: debalde.
E tão somente para
usá-la,
tornou a vida inútil,
a existência vã.
Essa é a lei e os
poetas.
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