sábado, 2 de junho de 2012


Ele tentou, tentou debalde.
Era tarde.
Era tarde demais.

Ele disse, disse debalde.
Não tinha a ver.
Não tinha graça.

Foi à Inglaterra
ressuscitar os Beatles,
mas John Lennon morreu em Nova York.

Vá para casa, ele se diz,
vou para a rua, ele se responde,
um meio termo é estabelecido:
vá pra puta que o pariu.

Ele sorriu, sorriu debalde.
Era feio sorrir daquilo.
Era errado ser triste.
Eram cáries.

Ele dormiu, dormiu debalde.
O sono nunca vai embora.
Acordará e voltará a dormir de novo,
não importa quão imponente ele seja,
quão importante seja seu ofício,
quão sublime seja sua arte,
quão influente seja sua filosofia.

O sono é uma verdade mais absoluta que a morte.

Ele aprendeu uma palavra: debalde.
E tão somente para usá-la,
tornou a vida inútil,
a existência vã.
Essa é a lei e os poetas.

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