domingo, 11 de agosto de 2013

Sim, há à noite sombras no meu caminho
são espíritos que cruzam as calçadas
são meus pensamentos que rastejam nos canteiros
são sombras de sombras do infinito

Eu volto pra casa e eu não tenho casa.

Todos já chegaram em casa,
com os melhores corpos,
com as melhores histórias,
com os melhores empregos,
com as melhores famílias,
e eu fiquei por último
e eu não consegui desejar nada do que eles desejaram
nem consegui desejar coisa diversa.

Fiquei preso nesse carro,
nessa rua crua de asfalto,
nessa cidade

Mas eu não tenho medo da noite,
não tenho medo dos perigos,
eu não tenho medo do escuro,
meu medo é muito mais simples e sem remédio,

eu tenho medo da minha solidão.

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